Palavras, dicas femininas,temáticas desejadas e curiosas, algumas horas de pausa e borboletas na barriga... Assim é o mundo da mulher...
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
Tricolor
O céu a aplaudir
As nuvens a agradecer
Aquilo que está por vir
Aquilo que ainda está para acontecer
O céu tricolor
Ar com outro sabor
Respirado com fôlego
Temperatura em ardor
Ambiente quente em cima
Esplanada nublada por baixo
Palco de um horizonte sem fim
Paisagem divinal
Local fundamental
Visão em túnel
Periférica faz desconcentrar
Quero olhar para ali
Para a frente dos meus olhos
Coisa linda que se dá todos os dias
Contigo a surgir por cima do mar
E eu aqui sempre à tua espera
E continuarei a esperar
Pois todos os dias
Todos os dias
São dias
De te ver
Vanessa Cardui (In “Ao Nunum”)
Foto e texto: @vanessa_cardui_oficial
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sábado, 15 de dezembro de 2018
Saudade vem de dentro
“Saudade é um sentimento que, quando não cabe no coração, escorre pelos olhos.”
Bob Marley
Sentimento de saudade. Aquela que se aloja na morada eterna que nenhum de nós quer saber onde é mas efectivamente sabe que é para lá que irá, um dia.
A saudade mais penosa é a que se aloja no coração sem poder sequer locomover-se. E essa é a saudade que mais nos custa e mais nos afoga o coração. Saudade que não cabe naquele que pensamos ser gigante para quem amamos mas que afinal se torna ainda mais pequeno quando perdemos alguém. Essa saudade não tem fim nem medida. É compactada no coração e nutrida pelo nosso corpo até ao sabugo; e é certo,tão mas tão certo, que acaba por nos escorrer pelos olhos em forma de lágrimas de nostalgia, memória e saudade.
Vanessa Cardui (In “Ao Nunum”)
Foto: @vanessa_cardui_oficial - instagram
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sexta-feira, 9 de novembro de 2018
A vontade vem vem da força ...
E onde é que vou buscar a força?! A ti! Ao que tu és para mim, ao que significas, ao que eras e ao bem eterno que te tornaste na minha vida e que, na verdade, sempre foste. E onde vou buscar a vontade? A ti! Àquela confiança que sempre me deste para continuar a superar obstáculos, lembras-te?! Eu lembro-me de me dizeres que eu era forte! E era, e sou... tal como tu!
E onde vou buscar os sonhos?! Aos que me deixaste por mim! Às letras, às frases, aos poemas ou aos “dizeres”, como lhes chamavas. Tudo o que era escrito para ti era bonito e sentido, dizias tu. E era. E continua a ser.. só porque a minha força vem de ti e de como me ensinaste a ser.
Vanessa Cardui
(In “Ao Nunum”)
Foto: Paulo Nuno Santos
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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Silêncio barulhento
Na maior parte das vezes, durante o dia não tenho tempo para fazer o meu luto em condições. Limito-me a pensar no meu Nunum a toda a hora, e não a dar-lhe forças porque infelizmente já não o posso fazer, mas sim a pedi-las...é uma ausência insuportável, corrosiva demais para se alojar no peito de um humano. Todos os dias tenho arranjado um bocadinho do meu tempo para rezar à minha maneira, por ele. Sozinha, deito-me na cama, embrulho-me nos cobertores, desligo tudo, abro a janela e deixo a aragem entrar. E nesta parte sinto-o entrar, como se o chamasse e ele simplesmente viesse.
Este é o meu luto. Este é o meu culto à sua alma. Sei que vai demorar a passar este nó que se entranhou na minha garganta e que amassou o meu peito... Aliás, não vai passar, vai passando... E não há um dia em que não pense nele."
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum")
Foto: Vanessa Cardui
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Resoluções para 2018
- Sinto que não sinto absolutamente nada. Sinto que sim porque sim e não sinto rigorosamente nada quando não é para sentir! Literalmente devastado pelo sentir que os outros me levam ou me vão levando sem querer. E levam,sem querer também, parte de mim. Sinto que não sinto porque estou dormente, de sono, de abstinência daquilo a que estamos habituados desde sempre - não só os nossos sentidos como os dos outros.
Agora sinto a dobrar quando é para sentir e não sinto absolutamente nada; repito, absolutamente nada quando não é suposto sentir. Mudei. Foram precisos trinta e dois anos de mim e dois anos sem ele que me guiava mesmo que não vivêssemos debaixo do mesmo tecto.
Ele era a coisa mais valiosa e especial que tínhamos na família,quase como um diamante em bruto, mas que afinal acabou por partir. Mal esperávamos nós, mal esperava eu! Deixei de me sentir a partir daí. A dormência do não querer acreditar apoderou-se de mim.
Passados dois anos e agora, até já começo a sentir alguma coisa, mas o vazio permanece e corrói. E a ausência de quem não podemos ter corrói ainda mais. Sentir não basta quando a realidade é dura e irrepreensível. Sentir basta quando há lugar para sentimentos bons,puros e genuínos.
Sentir por sentir não vale nada. Sentir por sentir não passa de uma gigantesca treta!
Comecem 2018 a sentir a sério aos que pensam que já começaram. Aos que ainda não o fizeram, façam estágio intensivo e façam apneia , pois concerteza não terão tempo de respirar até lá. Acordem!!!! Helloooo!!! 2018 está aí!!!!
Vanessa Cardui
In ( " Ao Nunum")
In ( " Ao Nunum")
Foto: Vanessa Cardui
#blogger #borboletrasdecardui #aftertwoyears #life #blog #vanessacarduiquotes #ao_Nunum #nunumeninim
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
Sem ti/ senti nada
Não dá. Sem ti tudo é mais do que duro... mesmo que passe um ano, dois. Pergunto-me se era suposto. Não sei, se calhar era...
No entanto e mesmo lúcida daquilo que pergunto a mim mesma e que sei que são questões às quais sei responder, sei ainda que nada muda ou mudou só porque te foste. Um lugar à mesa vazio, uma ausência tão corrosiva e atroz. De repente, a mesa ficou por pôr, a árvore por fazer e o jantar a arrefecer. Porque apesar de ser Natal, sem ti ficámos sem vontade de comer. Aquela mesa. Aquela mesa sem ti deixou de ser aquela mesa. E agora nem vontade há, sem ti. Sem ti nada sabe a nada pois deixaste cá tudo, até a ti..
Vanessa Cardui
(In “Ao Nunum”)
Foto: Vanessa Cardui
#blogger #borboletrasdecardui #ao_Nunum #dedicatória #vanessacarduiquotes
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
hesterno die est hodie
Passam-se dois anos. Dois anos em que apenas posso olhar nas fotografias para te poder ver.
Passam-se dois anos de lágrimas sentidas e perdidas; de uma dor desmedida.
Passam-se agora dois anos do dia em que te perdi...fora de mim; porque em mim estás e estarás sempre.
Passam-se agora setecentos e quase trinta dias sem te pôr a vista em cima. Coisa com a qual nunca contei, inadvertidamente.
Desculpa. Desculpa ter sido fraca o suficiente para ter caído na realidade apenas a partir do início deste ano. Eu sei que detestavas a inércia da vida e acredita que herdei isso de ti. No entanto, admito ter andado por andar, ter feito por fazer, ter trabalhado por trabalhar... no fundo, nada feito com gosto ou prazer; por me sentir um tanto anestesiada e perdida.
A bússola encontrei-a no inicio do ano e algo me faz querer que foi só mais um de tantos dos teus sinais. Incrível como mesmo daí, de onde estás, fazes tudo bem feito e fazes manobras e desdobras-te para que tudo corra de feição.
Passam-se dois anos de cartas para te serem entregues, que expiram. Cartas minhas. De mim para ti. Aquelas que me estavas sempre a pedir que te escrevesse porque assim te habituei. Guardaste-as todas no cofre. Algumas emolduraste. Amavas-me. E eu amava-te a ti. E amamo-nos incondicionalmente, irreversivelmente. Nunum, meu pai. Como me sinto orgulhosa de te ter tido como "mestre" a vida toda! Orgulhosa agora na força que tenho, que desconhecia e que tu me deixaste. Abençoada por ti, sempre, em todo o lado, estejas tu onde estiveres.
Passam-se dois anos de lágrimas sentidas e perdidas; de uma dor desmedida.
Passam-se agora dois anos do dia em que te perdi...fora de mim; porque em mim estás e estarás sempre.
Passam-se agora setecentos e quase trinta dias sem te pôr a vista em cima. Coisa com a qual nunca contei, inadvertidamente.
Desculpa. Desculpa ter sido fraca o suficiente para ter caído na realidade apenas a partir do início deste ano. Eu sei que detestavas a inércia da vida e acredita que herdei isso de ti. No entanto, admito ter andado por andar, ter feito por fazer, ter trabalhado por trabalhar... no fundo, nada feito com gosto ou prazer; por me sentir um tanto anestesiada e perdida.
A bússola encontrei-a no inicio do ano e algo me faz querer que foi só mais um de tantos dos teus sinais. Incrível como mesmo daí, de onde estás, fazes tudo bem feito e fazes manobras e desdobras-te para que tudo corra de feição.
Passam-se dois anos de cartas para te serem entregues, que expiram. Cartas minhas. De mim para ti. Aquelas que me estavas sempre a pedir que te escrevesse porque assim te habituei. Guardaste-as todas no cofre. Algumas emolduraste. Amavas-me. E eu amava-te a ti. E amamo-nos incondicionalmente, irreversivelmente. Nunum, meu pai. Como me sinto orgulhosa de te ter tido como "mestre" a vida toda! Orgulhosa agora na força que tenho, que desconhecia e que tu me deixaste. Abençoada por ti, sempre, em todo o lado, estejas tu onde estiveres.
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum ")
*hesterno die est hodie - o ontem é o hoje (latim)
Foto: Vanessa Cardui
#blogger #borboletrasdecardui #dedicatorias #ao_Nunum #saudadeeterna #nunumeninim #vanessacarduiquotes
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
Donum
Se tivesse direito apenas a dar um presente neste natal, seria a mim mesma sem querer parecer egoísta ou altruísta, sendo que sou mais dada a sentimentalismos do que propriamente a materialismos. Portanto, e com isto o presente que daria a mim mesma seria poder abraçar o meu Nunum novamente, com a maior força que conseguisse, nem que fosse por um fugaz nanossegundo. Seria o melhor natal desde que não o tenho fisicamente presente. Em suma, este seria, efectivamente, o presente que maior sentido faria. Um presente. Uma pessoa. Eu. Abraçá-lo só mais uma vez... e não sendo, de todo, possível...não quero mais nada...reforçando o facto de não querer parecer egoísta ou até mesmo ingrata.
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum ")
*donum - prenda (latim)
Foto: Elsa Gaspar
#blogger #borboletrasdecardui #ao_Nunum #saudadeeterna #vanessacarduiquotes #dedicatórias
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Trinus
Estás a ir-te e eu não quero deixar-te ir.
Estás a ir-te a esta hora, há dois anos atrás... já estavas a querer enveredar noutra viagem.
E é como se fosse hoje, por isso digo que agora estás a ir-te.
Desde que te foste, foste- te mas ficaste em mim. E, desde então tive que aprender a lidar com a tua ausência.
Chama-me burra ou idiota mas, sempre por esta altura do ano e reforce-se, principalmente nesta altura, sinto-te a ir. E a mesma dor, exactamente a mesma dor... sem tirar nem por... rimei mas não era para rimar, com certeza que terá sido mão tua.
Sinto-te a ir. Sinto-te na despedida, sinto-te nos dias presentes como se estes se sitassem em 2015.
Na verdade, senti-te a vida toda, ainda te sinto e continuarei a sentir, e ainda mais,se for preciso. Mas uma coisa te digo. Farei por cumprir as tuas vontades. Portanto, se tinhas a vontade que não rezassem missas pela tua alma, a única forma de que tenho de respeitar a tua vontade é de não ir, se as houver.
E estou aqui todos os dias, continuo a estar, no sítio do costume... tu na minha alma e a minha alma na tua.
Sempre para ti, ensinada por ti, orgulhosa por te pertencer. Tu, o meu Nunum.
Estás a ir-te por esta hora e por mais que eu não queira deixar-te ir, tu vais na mesma. Se queres e precisas de ir, eu deixo-te ir. Respeito e respeitarei sempre a tua vontade. Por isso vai. Mas fica! E ficaste...permaneceste...eternizaste-te em mim...
Estás a ir-te a esta hora, há dois anos atrás... já estavas a querer enveredar noutra viagem.
E é como se fosse hoje, por isso digo que agora estás a ir-te.
Desde que te foste, foste- te mas ficaste em mim. E, desde então tive que aprender a lidar com a tua ausência.
Chama-me burra ou idiota mas, sempre por esta altura do ano e reforce-se, principalmente nesta altura, sinto-te a ir. E a mesma dor, exactamente a mesma dor... sem tirar nem por... rimei mas não era para rimar, com certeza que terá sido mão tua.
Sinto-te a ir. Sinto-te na despedida, sinto-te nos dias presentes como se estes se sitassem em 2015.
Na verdade, senti-te a vida toda, ainda te sinto e continuarei a sentir, e ainda mais,se for preciso. Mas uma coisa te digo. Farei por cumprir as tuas vontades. Portanto, se tinhas a vontade que não rezassem missas pela tua alma, a única forma de que tenho de respeitar a tua vontade é de não ir, se as houver.
E estou aqui todos os dias, continuo a estar, no sítio do costume... tu na minha alma e a minha alma na tua.
Sempre para ti, ensinada por ti, orgulhosa por te pertencer. Tu, o meu Nunum.
Estás a ir-te por esta hora e por mais que eu não queira deixar-te ir, tu vais na mesma. Se queres e precisas de ir, eu deixo-te ir. Respeito e respeitarei sempre a tua vontade. Por isso vai. Mas fica! E ficaste...permaneceste...eternizaste-te em mim...
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum ")
*Trinus - viagem (latim)
Foto: Paulo Nuno Santos
(In "Ao Nunum")
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segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Signa
Está a aproximar-se a altura de me lembrar que te foste. Está a aproximar-se a altura da melancolia mor que se apodera das minhas entranhas. Fazes-me falta! Aquela falta que faz falta ter tal como o ar para respirar! Fazes-me tanta falta! Quase dois anos sem ti e tudo deixou de fazer sentido...principalmente até ao segundo ano. Depois, apesar de toda a saudade cravada em mim, comecei a conformar-me lentamente que te tinhas ido, mesmo, naquela viagem de que toda a gente fala que se julga que é eterna, mas, para mim, não é coisíssima nenhuma! E aí passei a interpretar sinais. Os teus. Sinais que só poderiam ser teus, vindos de ti...de ti, para mim. Sinais teus, tão nossos que só eu os consigo interpretar, que são aqueles sinais que só podem vir de ti. Ponto, parágrafo. Tais sinais atiraram-se-me de cabeça para uma felicidade transcendente e que se tornaram cruciais nos meus dias. Podem até nem ser sinais, para os outros, mas para mim são. E são porque e mais uma vez, para mim, fazem sentido; demasiado sentido até! Não é à toa que as imprevisibilidades acontecem, é só o que digo. Mesmo onde estás continuas a ser o pilar e a ajudar como se aqui estivesses. A ajudar para que tudo corra de feição, como sempre te esforçavas por fazê-lo. E ainda bem. Saí a ti. Prefiro não fazer a fazer mal feito e, na verdade, fazer bem ou mal leva o mesmo tempo - já a minha avó velha o dizia. De todas as formas que seriam possíveis e exequíveis, nenhuma nem nada faria sentido sem ti. Admitindo, contudo, que a vida não acaba em prol do fim da vida dos outros. Parece assim, mas felizmente não é assim. Para os que estão vivos, a vida tem que continuar apesar da dor e dos dissabores, pois essa só nós a vivemos. Portanto a vida tem que fazer sentido pois efectivamente não faz logo após a perda de um ente querido (tão querido e quase considerado imortal) ; mas devagar nos vai trazendo aquela paz e serenidade que noutros tempos nem sequer faria qualquer sentido!
Aceito que te foste só porque acredito que ficaste comigo, em sinais e, sobretudo, dentro de mim.
Já te disse que ficaste cravado em mim, não já?
Talvez não o tenha dito as vezes suficientes. Mas isso não faria com que tivesses ficado mais tempo...
Não querias crer na morte, e sabes que nem eu quero (coisa com que não lido muito bem); e eu ainda vou a tempo de viver a vida, sem que esta falta de força por te ter perdido me persiga incessantemente.
Infelizmente já não estás cá, mas eu por cá estou, e por cá continuarei a estar até fazer também a tal viagem que me levará ao teu encontro e, de novo, ao teu abraço, quiçá! Sou céptica em relação a tudo que não conheço mas no que te envolva a ti, em nada o sou! E acredito e quero acreditar no que a maior parte das pessoas crê para além da morte, uma forma subtil de amenizar a dor e a angústia que jaz nos corações. A vida é breve porque o tempo não pára, mesmo que seja muito... para quem não se lembra, o tempo voa.
Tenho vida agora, usufruo da melhor forma que sei; a qual me ensinaste e bem; com a máxima qualidade que conseguir, principalmente a nível de sentimentos. Assim o fiz, e ironicamente só após a tua morte o comecei a raciocinar claramente e a saber o que viver sem perceber mais nada a não ser sinais e cheiros bons, flores lindas no jardim do adro, e sol com tanta luz, todos os dias da minha vida. Agora vejo as coisas noutra perspectiva. De forma mais dura mas mais lúcida. Sem ti deparo-me com a felicidade e sei o que fazer com ela, precisamente por mo teres ensinado e mostrado o amor inegável que tinhas e continuas a ter à minha avó Pureza.
Desculpa se já passou algum tempo e só agora me lembrei disto, mas tinha que o partilhar porque sei que a tua maior felicidade era a minha. E, meu Nunum, sei tão bem o que fazer com esta felicidade. Sei tão bem, até ao fim dos meus dias! Só tenho pena de saber-te comigo mas não em presença física. Neste momento e em todos os outros, fazes falta! Pois em mim estás sempre enraizado, emocionalmente e com a tua alma em mim e o teu cheiro que mesmo que já se tenha dissipado, continua presente assim que fecho os olhos e o quero sentir.
Tenho pena que já cá não estejas para ver de perto o que aí vem mas certamente que daí de cima tens ainda uma melhor visão e a tua estrela continuará a guiar-me tal como sempre.
Orgulho que tenho em ter vindo da família que criaste. Orgulho em ter-te para vida...
Houve um luto que durou mas que se transforma em porta que se abre, só porque me mandaste os teus sinais. Obrigada. Obrigada por tudo! Por me ensinares a bater palmas e a saber aplaudir apenas a quem merece. Por ti soube saber distinguir as pessoas e os comportamentos e apesar de não ser homem sempre me disseste que "a tropa manda desenrascar" e assim o fiz. Desde sempre. Graças a ti sei andar no mundo numa conduta correcta e recta, sem curvas. A ti aplaudo-te, a ti tiro o chapéu, a ti venero-te. Eu sei que, onde quer que estejas, estás orgulhoso daquilo que se passa por cá. Eu estou.
O primeiro ano depois de te ires foi a conformação. O segundo foi a reflexão . A reflexão sobre uma vida de raíz.
Essa reflexão deve-se ao maior ensinamento que me deixaste. Viver a vida sendo feliz e contando com a felicidade de hoje e de amanhã. Não eras de relógios. Eu também não.
Por isso sempre foste a favor da felicidade a longo prazo mesmo sabendo que o dia tem
vinte e quatro horas e ainda assim parecem ser poucas para tantos desejos e tanta felicidade por esbanjar. A vida é curta, já tu mo dizias. E era. E é. Mas enquanto é, a felicidade move o nosso mundo, irrepreensivelmente.
E esse mundo que eu nunca tinha visto sem ti, estou a vê- lo agora e devo dizer que me estou a sair bem, Nunum.
Aceito que te foste só porque acredito que ficaste comigo, em sinais e, sobretudo, dentro de mim.
Já te disse que ficaste cravado em mim, não já?
Talvez não o tenha dito as vezes suficientes. Mas isso não faria com que tivesses ficado mais tempo...
Não querias crer na morte, e sabes que nem eu quero (coisa com que não lido muito bem); e eu ainda vou a tempo de viver a vida, sem que esta falta de força por te ter perdido me persiga incessantemente.
Infelizmente já não estás cá, mas eu por cá estou, e por cá continuarei a estar até fazer também a tal viagem que me levará ao teu encontro e, de novo, ao teu abraço, quiçá! Sou céptica em relação a tudo que não conheço mas no que te envolva a ti, em nada o sou! E acredito e quero acreditar no que a maior parte das pessoas crê para além da morte, uma forma subtil de amenizar a dor e a angústia que jaz nos corações. A vida é breve porque o tempo não pára, mesmo que seja muito... para quem não se lembra, o tempo voa.
Tenho vida agora, usufruo da melhor forma que sei; a qual me ensinaste e bem; com a máxima qualidade que conseguir, principalmente a nível de sentimentos. Assim o fiz, e ironicamente só após a tua morte o comecei a raciocinar claramente e a saber o que viver sem perceber mais nada a não ser sinais e cheiros bons, flores lindas no jardim do adro, e sol com tanta luz, todos os dias da minha vida. Agora vejo as coisas noutra perspectiva. De forma mais dura mas mais lúcida. Sem ti deparo-me com a felicidade e sei o que fazer com ela, precisamente por mo teres ensinado e mostrado o amor inegável que tinhas e continuas a ter à minha avó Pureza.
Desculpa se já passou algum tempo e só agora me lembrei disto, mas tinha que o partilhar porque sei que a tua maior felicidade era a minha. E, meu Nunum, sei tão bem o que fazer com esta felicidade. Sei tão bem, até ao fim dos meus dias! Só tenho pena de saber-te comigo mas não em presença física. Neste momento e em todos os outros, fazes falta! Pois em mim estás sempre enraizado, emocionalmente e com a tua alma em mim e o teu cheiro que mesmo que já se tenha dissipado, continua presente assim que fecho os olhos e o quero sentir.
Tenho pena que já cá não estejas para ver de perto o que aí vem mas certamente que daí de cima tens ainda uma melhor visão e a tua estrela continuará a guiar-me tal como sempre.
Orgulho que tenho em ter vindo da família que criaste. Orgulho em ter-te para vida...
Houve um luto que durou mas que se transforma em porta que se abre, só porque me mandaste os teus sinais. Obrigada. Obrigada por tudo! Por me ensinares a bater palmas e a saber aplaudir apenas a quem merece. Por ti soube saber distinguir as pessoas e os comportamentos e apesar de não ser homem sempre me disseste que "a tropa manda desenrascar" e assim o fiz. Desde sempre. Graças a ti sei andar no mundo numa conduta correcta e recta, sem curvas. A ti aplaudo-te, a ti tiro o chapéu, a ti venero-te. Eu sei que, onde quer que estejas, estás orgulhoso daquilo que se passa por cá. Eu estou.
O primeiro ano depois de te ires foi a conformação. O segundo foi a reflexão . A reflexão sobre uma vida de raíz.
Essa reflexão deve-se ao maior ensinamento que me deixaste. Viver a vida sendo feliz e contando com a felicidade de hoje e de amanhã. Não eras de relógios. Eu também não.
Por isso sempre foste a favor da felicidade a longo prazo mesmo sabendo que o dia tem
vinte e quatro horas e ainda assim parecem ser poucas para tantos desejos e tanta felicidade por esbanjar. A vida é curta, já tu mo dizias. E era. E é. Mas enquanto é, a felicidade move o nosso mundo, irrepreensivelmente.
E esse mundo que eu nunca tinha visto sem ti, estou a vê- lo agora e devo dizer que me estou a sair bem, Nunum.
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum ")
*signa - sinais (latim)
Foto: Vanessa Cardui
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quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Anjo branco
Naquele dia
Naquele aniversário
Tudo tão teu e tu fora daqui
Não te tenho mas trago-te aqui
E assim do nada fui directa a ti
Era noite, noite cerrada
As velas a velarem campas
Pessoas ali a parecerem mantas
Sem lhes ver o rosto, para que lá vamos?
Será o meu ver, o dos insanos?
Noite cerrada e os fantasmas enterrados
Há lá maior paz do que estar no meio do vazio
E sentirmos dali oriunda uma vida e tantas outras
Sem que respirem mas que as suas emoções boas cá tenham deixado
Tudo aceso em velas e em candeeiros, tudo apagado
Tudo repleto de almas e tudo sem cheiro, abandonado
Horas tardias naquele lugar acumulado
De vidas perdidas que tiveram um passado
Que já passou e agora é chão pisado
Flores murchas que se devem dar em vida
Depois da morte não há flor que sobreviva
As campas secam com os corpos decompostos
Os fôlegos e os suspiros de aflição são poucos
Sabia-te lá espiritualmente de alguma maneira
Mas não queira vir a dizer alguma asneira
Chamei-te duas vezes e apenas à terceira
Vi na minha direcção um gato branco igual a um anjo
Chamei-te outra vez e senti- me inteira
O gato fez-me festas até subir no meu colo
Eu acarinhei-o e dei-lhe o meu maior consolo
Senti- te comigo ali
E não era um gato qualquer
Nem um gato matreiro
Nem um gato de rua com cheiro
Era um gato especial e dado
Queria que o levasse para casa
E não eras tu
Mas era o teu abraço
E a tua presença
Naquele gato
Naquele aniversário
Tudo tão teu e tu fora daqui
Não te tenho mas trago-te aqui
E assim do nada fui directa a ti
Era noite, noite cerrada
As velas a velarem campas
Pessoas ali a parecerem mantas
Sem lhes ver o rosto, para que lá vamos?
Será o meu ver, o dos insanos?
Noite cerrada e os fantasmas enterrados
Há lá maior paz do que estar no meio do vazio
E sentirmos dali oriunda uma vida e tantas outras
Sem que respirem mas que as suas emoções boas cá tenham deixado
Tudo aceso em velas e em candeeiros, tudo apagado
Tudo repleto de almas e tudo sem cheiro, abandonado
Horas tardias naquele lugar acumulado
De vidas perdidas que tiveram um passado
Que já passou e agora é chão pisado
Flores murchas que se devem dar em vida
Depois da morte não há flor que sobreviva
As campas secam com os corpos decompostos
Os fôlegos e os suspiros de aflição são poucos
Sabia-te lá espiritualmente de alguma maneira
Mas não queira vir a dizer alguma asneira
Chamei-te duas vezes e apenas à terceira
Vi na minha direcção um gato branco igual a um anjo
Chamei-te outra vez e senti- me inteira
O gato fez-me festas até subir no meu colo
Eu acarinhei-o e dei-lhe o meu maior consolo
Senti- te comigo ali
E não era um gato qualquer
Nem um gato matreiro
Nem um gato de rua com cheiro
Era um gato especial e dado
Queria que o levasse para casa
E não eras tu
Mas era o teu abraço
E a tua presença
Naquele gato
Vanessa Cardui
Foto: Christian Raspuns.Ioana
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sábado, 7 de outubro de 2017
Passear contigo
Hoje peguei no teu carro. Hoje peguei no teu carro e fugi dali, contigo, ao lado, assim eu me senti.
Hoje tive a coragem que ainda não tinha tido desde que partiste. Orgulhei-me de mim... e fi-lo, tenho a certeza, por te ter ao meu lado. Deste-me força. Falei contigo a viagem toda e nem tão pouco liguei o rádio para , de certo modo, poder ouvir-te melhor. Ouvi-te à minha maneira e certamente que também me ouviste a mim. Cada palavra, cada escapadela à sinalização da via de rodagem, cada asneira que me saía tal qual "síndrome de tourette" com aquela ainda revolta de te ter perdido. Cada mudança engatada era a esperança de poder senrir-te mais un pouco. Eram poucas as curvas mas a recta compensa sempre o facto de te ter ao meu lado.
O teu carro continua como o deixaste. Sem tirar nem pôr, até os últimos trocos que deixaste na consola da última vez que foste ao supermercado.
Tudo intacto. O teu nome, a tua letra, o volante que tu guiavas, o teu clube e os que julgavas os teus anjos protectores ao passo que eu julgo que o meu és tu. Em nada toquei. Guiei o mesmo volante que guiavas e em que ao teu colo, sentada, me ensinavas a conduzir que, em tempos, guiei também (à minha maneira pois quem chegava aos pedais eras tu.... e lá está, eram sobretudo rectas e eram tudo menos monótonas, só por nos termos um ao outro... e assim o foi hoje, quando guiei o teu carro.)
O teu carro passeia comigo por uns dias e assim, consigo ter- te sempre um bocadinho mais perto.
A tua vida entrelaçada na minha e os dois, na mesma direcção. Encontramo-nos no pôr-do-sol.
Hoje tive a coragem que ainda não tinha tido desde que partiste. Orgulhei-me de mim... e fi-lo, tenho a certeza, por te ter ao meu lado. Deste-me força. Falei contigo a viagem toda e nem tão pouco liguei o rádio para , de certo modo, poder ouvir-te melhor. Ouvi-te à minha maneira e certamente que também me ouviste a mim. Cada palavra, cada escapadela à sinalização da via de rodagem, cada asneira que me saía tal qual "síndrome de tourette" com aquela ainda revolta de te ter perdido. Cada mudança engatada era a esperança de poder senrir-te mais un pouco. Eram poucas as curvas mas a recta compensa sempre o facto de te ter ao meu lado.
O teu carro continua como o deixaste. Sem tirar nem pôr, até os últimos trocos que deixaste na consola da última vez que foste ao supermercado.
Tudo intacto. O teu nome, a tua letra, o volante que tu guiavas, o teu clube e os que julgavas os teus anjos protectores ao passo que eu julgo que o meu és tu. Em nada toquei. Guiei o mesmo volante que guiavas e em que ao teu colo, sentada, me ensinavas a conduzir que, em tempos, guiei também (à minha maneira pois quem chegava aos pedais eras tu.... e lá está, eram sobretudo rectas e eram tudo menos monótonas, só por nos termos um ao outro... e assim o foi hoje, quando guiei o teu carro.)
O teu carro passeia comigo por uns dias e assim, consigo ter- te sempre um bocadinho mais perto.
A tua vida entrelaçada na minha e os dois, na mesma direcção. Encontramo-nos no pôr-do-sol.
Vanessa Cardui
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Perdi-me do(a) (n)morte
Quero escrever mas não quero dizer...a falta que me fazes em vida e em morte, inexplicavelmente sem vida e sem morte. Como é possível já teres partido há quase dois anos e eu, ainda, não me sentir conformada. Sim. Senti que te perdi. Mas apenas e só fisicamente, ao alcance do meu olhar ou de uma ida a tua/nossa casa. Sim. Fazias e continuas a fazer questão que a tua casa seja a nossa casa; a casa da nossa família unida em que sempre e qualquer um dos nossos será sempre bem-vindo. Assim o será e assim o tem sido.
Mas sim. Também te sinto mesmo já te tendo perdido, por isso limito-me a ler os sinais que me mandas não sei muito bem de onde. Se eu não fosse tão desorientada em caminhos, achas que daria com isso? Se sim, estaria disposta a correr quilómetros como quem vai para Fátima cumprir promessas; mas unicamente por ti, por saber-te lá. Mas a estupidez maior é que sei que mesmo que esse lugar exista... nunca vai acontecer cruzarmo-nos como dantes o fazíamos...agora fazemo-lo de outra maneira e só nós o sabemos. É mágico, de alguma forma transcendente, mas enternecedor e enriquecedor para a alma e potencia-me a paz que é o que mais me tentavas transmitir, mesmo pessimista.
Posso ter- te perdido, mas não tenho coragem de deixar ir as memórias que temos connosco; nem os ensinamentos que me deixaste; nem as últimas palavras que me proferiste; nem a despedida que sabíamos que não podia ser muito extensa, mas o mais profunda possível. E foi. E eu deixei-te ir...com um beijo na testa e outro no rosto... e ainda uma festa nas tuas mãos frias habituais. Depois voltei a beijar-te e a rezar ajoelhada à tua cabeça como no momento me fizesse algum sentido rezar. Nunca fez. No momento não fez e não é agora que vai fazer. A vida acontece. A dor vem e vai. O sofrimento também. As sequelas até podem ficar mas as memórias boas duram e perduram, quanto tempo for preciso... até eternamente se assim o entendermos. E assim o é.
Mas sim. Também te sinto mesmo já te tendo perdido, por isso limito-me a ler os sinais que me mandas não sei muito bem de onde. Se eu não fosse tão desorientada em caminhos, achas que daria com isso? Se sim, estaria disposta a correr quilómetros como quem vai para Fátima cumprir promessas; mas unicamente por ti, por saber-te lá. Mas a estupidez maior é que sei que mesmo que esse lugar exista... nunca vai acontecer cruzarmo-nos como dantes o fazíamos...agora fazemo-lo de outra maneira e só nós o sabemos. É mágico, de alguma forma transcendente, mas enternecedor e enriquecedor para a alma e potencia-me a paz que é o que mais me tentavas transmitir, mesmo pessimista.
Posso ter- te perdido, mas não tenho coragem de deixar ir as memórias que temos connosco; nem os ensinamentos que me deixaste; nem as últimas palavras que me proferiste; nem a despedida que sabíamos que não podia ser muito extensa, mas o mais profunda possível. E foi. E eu deixei-te ir...com um beijo na testa e outro no rosto... e ainda uma festa nas tuas mãos frias habituais. Depois voltei a beijar-te e a rezar ajoelhada à tua cabeça como no momento me fizesse algum sentido rezar. Nunca fez. No momento não fez e não é agora que vai fazer. A vida acontece. A dor vem e vai. O sofrimento também. As sequelas até podem ficar mas as memórias boas duram e perduram, quanto tempo for preciso... até eternamente se assim o entendermos. E assim o é.
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum ")
#blogger #borboletrasdecardui #manuscritosdecardui #vanessacarduiquotes #ao_Nunum
Foto: Vanessa Cardui
domingo, 1 de outubro de 2017
Verde para ti
É o verde. É aquilo que o verde traz. Esperança...e logo com branco de paz, e que paz! Paz verde de alegria! Verde de floresta e de vitalidade em tudo que é fauna e flora que, por vezes, até podemos nem ver, mas estão lá nas partículas mais pequenas e escondidas na terra. E tinha que ser verde. O dia do teu aniversário tinha que ser assinalado com o verde. Verde é a cor, era e continua a ser a tua cor. Por isso, verde é a cor que te quero hoje dar. Para além dos sorrisos que lanço para o céu todos os dias podendo, de alguma forma, alcançar o teu olhar. Sei que provavelmente vês muito mais do que aquilo que eu vejo cá em baixo. Certamente que te surpreendem certas situações e outras te desiludem mas nem nos maus momentos tens deixado de estar por perto. Sinais de paz, da cor verde do verde da natureza, da cor do teu clube e da tua pureza tal e qual à pureza da terra em que até a tua esposa, minha avó, tinha que ter esse nome, sendo ela dotada de tanta e tamanha pureza.
Tu és verde. A natureza. Encontro-te lá. E fundes-te com a minha avó porque ela é a Pureza e ainda tenho o prazer de sentir o seu cheiro sem ser a "guardado ". O teu cheiro já o prefiro encontrar e absorver da natureza. Porque para além de estares em tudo o que mostra ter vida, também estás em todo o lado...
Hoje o teu neto voltou ao teu estádio predilecto. Mesmo sem lugar marcado para ti, soubemos-te lá...ia ser a maior prenda... e foi.
O verde aguentou firme.
O verde é um respirar com fé.... como mo ensinaste....
Tu és verde. A natureza. Encontro-te lá. E fundes-te com a minha avó porque ela é a Pureza e ainda tenho o prazer de sentir o seu cheiro sem ser a "guardado ". O teu cheiro já o prefiro encontrar e absorver da natureza. Porque para além de estares em tudo o que mostra ter vida, também estás em todo o lado...
Hoje o teu neto voltou ao teu estádio predilecto. Mesmo sem lugar marcado para ti, soubemos-te lá...ia ser a maior prenda... e foi.
O verde aguentou firme.
O verde é um respirar com fé.... como mo ensinaste....
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum")
(In "Ao Nunum")
Foto: Nuno Martins
#blogger #vanessacarduiquotes #borboletrasdecardui #Ao_Nunum #saudadesquenaocabem #verde #scp #semprecontigo #nunumeninim #nunumninimenunim
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Ninim
Sabes? Dou por mim diversas vezes a pensar no que me terias dito mais se, porventura, tivesses 100% de certeza que no dia seguinte já não te panharia com vida. Sabes? Massacro-me com isso constantemente. Pois na verdade e se eu o senti como uma despedida era porque, de facto, o era. E tu sabia-lo, melhor do que ninguém, melhor do que eu.... a ponto de só mo fazeres sentir e de não teres coragem suficiente para mo dizer. Não por não saberes que não iria aguentar porque sabes que sou da tua raça e é preciso muito para me vergar! Mas por não teres coragem de me ver sofrer ali,à tua frente, pela última vez. Sempre preferiste a tua dor à minha; a tua dor à nossa. E não é, de todo, que a reciprocidade do nosso laço assente na dor que tiveste na dor que é não te ter no mesmo chão que eu. Enfim. Lá me aguento desde os finais de 2015. Triste e um melancólico viver sem ti mas continuas presente nos meus passos. De vez sm quando penso com muita força, fecho os olhos e ouço: "Ninim!" És tu, é a tua voz e eu sei. Pode até ser uma recordação que a minha cabeça guardou na parte das alucinações. No entanto, adoro. Adoro ser chamada por ti, quer seja fake ou não. Quer seja daqui ou de acolá. Basta- me saber que és tu ou que vem de ti...mesmo que sejam reflexos da saudade que é tanta em querer ter-te por perto e não poder, a ponto de te imaginar.... e a ponto de gostar, e de assim ir suportando a tua ausência...
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum")
(In "Ao Nunum")
Foto: Vanessa Cardui #manuscritosdecardui #blogger #borboletrasdecardui #vanessacarduiquotes #ao_Nunum #nunumeninim #minhamaiormotivacao
sábado, 16 de setembro de 2017
Tilintares de ti
A cada passo que dou lembro-me de ti... pelo tilintar das pulseiras que vieram do teu braço para o meu ..tal como o teu fio e o teu anel. Cada passo que dou tu tilintas em mim, como se aqui estivesses, como se desses ar da tua graça ( quem me dera ver-te para além de te sentir assim tanto!).
Tu andas em mim e mesmo antes de teres ido fazer a tal viagem eterna, já por cá andavas desde que nasci. Mas de outra maneira, porque te via, porque te ouvia, porque tinha a certeza de estares cá por te ter visro com estes olhos que a terra há- de comer. E estavas lá. E sempre estiveste. E agora custa não estares porque eras e és o pilar e o meu deus. Arrisco-me a dizer que cada vez se torna mais penoso e menos confortável para mim, estas saudades que não passam. Pelo menos até agora tem sido. Continuas a tilintar em mim... E agora o fio a tilintar com as medalhas da árvore da vida e a da onda do mar. Do mar que eu sei que gostas. Sei que lá tenho sempre encontro marcado contigo. Naquela paz do mar e da praia sem gente. Vou lá ter! Conta comigo, como sempre!
Falarei com uma onda e farei com que te leve esta mensagem, meu Nunum, meu pai..minha estrela...minha inspiração em ser...em tudo...
Cada celebração sem ti não tem o mesmo sabor, no entanto continuo a ter necessidade de as partilhar contigo mesmo não te sabendo por cá, sei-te em mim...
Tu andas em mim e mesmo antes de teres ido fazer a tal viagem eterna, já por cá andavas desde que nasci. Mas de outra maneira, porque te via, porque te ouvia, porque tinha a certeza de estares cá por te ter visro com estes olhos que a terra há- de comer. E estavas lá. E sempre estiveste. E agora custa não estares porque eras e és o pilar e o meu deus. Arrisco-me a dizer que cada vez se torna mais penoso e menos confortável para mim, estas saudades que não passam. Pelo menos até agora tem sido. Continuas a tilintar em mim... E agora o fio a tilintar com as medalhas da árvore da vida e a da onda do mar. Do mar que eu sei que gostas. Sei que lá tenho sempre encontro marcado contigo. Naquela paz do mar e da praia sem gente. Vou lá ter! Conta comigo, como sempre!
Falarei com uma onda e farei com que te leve esta mensagem, meu Nunum, meu pai..minha estrela...minha inspiração em ser...em tudo...
Cada celebração sem ti não tem o mesmo sabor, no entanto continuo a ter necessidade de as partilhar contigo mesmo não te sabendo por cá, sei-te em mim...
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum")
(In "Ao Nunum")
#blogger #vanessacarduiquotes #ao_Nunum #nunumeninim #tilintar #tumerecesumhashtagsóparati #borboletrasdecardui
Foto: Vanessa Cardui
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Deesset te amica mea
Tenho saudades do que eu era sabendo-te vivo. Tenho saudades do que me ensinaste só para ter o prazer que mo ensinasses novamente. Tenho saudades só porque sim e só porque não. Tenho saudades de poder procurar-te e de te encontrar. Agora, por mais que te procure, só te sinto, em todo o lado, em todo o lado que é meu e em todo o lado que é teu. Até no que não é! Tenho saudades dos teus ensinamentos sábios. Era menina para fingir que não me lembro de nada só para teres que vir cá abaixo re- ensinar-me. Mas sei que não é viável e já não tenho dezasseis anos, e sim o dobro.
Perdi- te aos trinta. Ainda assim deixaste- me completar os meus trinta anos. Nesse dia tive-te ao meu lado. E no teu último aniversário também estive ao teu lado, curiosamente nesse mesmo ano. E celebrámo-lo juntos, como quem celebra a vida e a família. E destas duas vezes disseste a mesma coisa: "espero estar cá para o ano para voltarmos a festejar". E deste-me a tua mão fria para ta aquecer como sempre o fazias.
A minha resposta foi : "Nunum, não digas coisas parvas. E não eram parvas". Ele disse-o duas vezes. No Natal já cá não esteve ao nosso lado. Eu devia ter acreditado, talvez, mas por esta altura ainda o considerava imortal. Nem sequer ponderva a hipótese de, um dia..
E foi. Um dia foi. No dia a seguir ao me ter despedido e ao ter visto um sorriso ao dizer- lhe:
"Vou fazer uma tatuagem com a tua assinatura! Amanhã venho ver-te, Nunum "
E já não o vi a sorrir nem com vida. Já não fui a tempo. Mas ele despediu-se de mim e eu também. Eu fiquei com o seu anel cativo e com a sua assinatura cravada em mim, mas com ele, parte de mim também foi. Existe, mas também foi. Foi contigo que aprendi o meu maior sorriso.
Perdi- te aos trinta. Ainda assim deixaste- me completar os meus trinta anos. Nesse dia tive-te ao meu lado. E no teu último aniversário também estive ao teu lado, curiosamente nesse mesmo ano. E celebrámo-lo juntos, como quem celebra a vida e a família. E destas duas vezes disseste a mesma coisa: "espero estar cá para o ano para voltarmos a festejar". E deste-me a tua mão fria para ta aquecer como sempre o fazias.
A minha resposta foi : "Nunum, não digas coisas parvas. E não eram parvas". Ele disse-o duas vezes. No Natal já cá não esteve ao nosso lado. Eu devia ter acreditado, talvez, mas por esta altura ainda o considerava imortal. Nem sequer ponderva a hipótese de, um dia..
E foi. Um dia foi. No dia a seguir ao me ter despedido e ao ter visto um sorriso ao dizer- lhe:
"Vou fazer uma tatuagem com a tua assinatura! Amanhã venho ver-te, Nunum "
E já não o vi a sorrir nem com vida. Já não fui a tempo. Mas ele despediu-se de mim e eu também. Eu fiquei com o seu anel cativo e com a sua assinatura cravada em mim, mas com ele, parte de mim também foi. Existe, mas também foi. Foi contigo que aprendi o meu maior sorriso.
Vanessa Cardui
*Deesset te amica mea = saudades tuas meu amor (latim)
Foto: Vanessa Cardui
#blogger #ao_Nunum #borboletrasdecardui #vanessacarduiquotes
domingo, 16 de julho de 2017
Pureza
Porque és avó
Porque és a minha avó
E és a minha pureza
Cheiras a natureza
Porque és sempre a certeza
Do que é ser com firmeza
Aprendi tantas coisas contigo
Vivi tantas histórias no teu colo
Agora estou mais crescida
Mas ainda me sento nele
E ele é igual como sempre foi
E aconchega-me
E reconforta-me
E dá- me um amor incondicional
Um amor ao quadrado surreal
Porque és a minha avó
E és pureza
E se não fosses tu
Diria-te toda a natureza
Por cheirares a ti
E por me dares ar
Minha avó
Minha Pureza mais pura
Porque és a minha avó
E és a minha pureza
Cheiras a natureza
Porque és sempre a certeza
Do que é ser com firmeza
Aprendi tantas coisas contigo
Vivi tantas histórias no teu colo
Agora estou mais crescida
Mas ainda me sento nele
E ele é igual como sempre foi
E aconchega-me
E reconforta-me
E dá- me um amor incondicional
Um amor ao quadrado surreal
Porque és a minha avó
E és pureza
E se não fosses tu
Diria-te toda a natureza
Por cheirares a ti
E por me dares ar
Minha avó
Minha Pureza mais pura
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum")
(In "Ao Nunum")
Fotos: Vanessa Cardui
#vanessacarduiquotes #blogger #borboletrasdecardui #aonunum #poesia
segunda-feira, 29 de maio de 2017
Omnipraesens
"Pela primeira vez senti que o anel me estava a arranhar no dedo. Tirei-o. Estava rachado. Não estou habituada a estar sem ele no meu dedo, de todo! Mas vou tirar... arranjar...para depois o colocar de novo. Não o quero perder. Quero que ele prevaleça e permaneça.. não que ele enfraqueça!
Nunca pensei que doesse tirar um anel, mas este doeu, mesmo que seja temporário. Porque o temporário para mim não existia até deixar de te poder ver. Agora tinha o teu anel definitivamente no meu dedo. Na minha cabeça, uma decisão para a vida e nada temporária. Uma parte de ti. Um eu teu qualquer que me deixaste e que tenho tanto orgulho. O teu anel. A tua estrela, a nossa estrela.
Vou arranjá-lo e vou colocá- lo no meu dedo que agora está nu sem ti..."
Nunca pensei que doesse tirar um anel, mas este doeu, mesmo que seja temporário. Porque o temporário para mim não existia até deixar de te poder ver. Agora tinha o teu anel definitivamente no meu dedo. Na minha cabeça, uma decisão para a vida e nada temporária. Uma parte de ti. Um eu teu qualquer que me deixaste e que tenho tanto orgulho. O teu anel. A tua estrela, a nossa estrela.
Vou arranjá-lo e vou colocá- lo no meu dedo que agora está nu sem ti..."
Vanessa Cardui
(In "Ao Nunum")
(In "Ao Nunum")
*omnipraesens = omnipresente (latim)
Foto: Paulo Nuno Santos
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